quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Avaliação da primeira metade da vida.

Estou chegando à conclusão de que não sirvo pra muita coisa.

Eu fui um adolescente pouco problemático. Sempre muito tímido, isolado. Comecei a beber tarde, a sair tarde e, pensando bem, até os 18 não me metia em confusão. Não sei se meus pais enxergavam da mesma forma.

Enfim.

Enfim, eu cresci. Me casei cedo demais e estraguei boa parte da minha vida.~

Tentei ser o melhor marido, não fui. Tentei duas vezes ser pai; consegui extraordinariamente na primeira mas falhei miseravelmente na segunda.

Tentei ser um bom profissional mas me tornei um profissional mediano que está prestes a perder o emprego.

Não conclui a faculdade.

Afastei de mim a pessoa que mais amo e que me melhorava em todos os aspectos, até estes aí, em cima.

Talvez eu não sirva pra muita coisa mesmo. Talvez para causar problemas, não fazer a diferença e magoar as pessoas. Estou pensando seriamente em deixar esse mundo. Não vai fazer muita diferença mesmo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Help

Este ano, não mandei mensagens de SMS pra ninguém, desejando feliz natal ou ótima festa. Essa depressão não me deixa.

Não enviei spam, não liguei e, pra fala a verdade, não fiz nada disso, como nos anos anteriores.

Neste natal, me recolhi em posição fetal e, cada vez que acontece algo, eu me aperto mais nessa posição.

Antes do Natal, lembrei da minha mãe. Olhei para a árvore de natal que temos hoje, idéia dela (bem iluminada com fibra ótica) e decidi deixá-la acessa durante a noite em sua homenagem.

Lembro que ela comprou essa árvore porque, no final de sua problemática vida junto ao diabetes, já não enxergava bem, apenas flashes de luzes coloridas.

Neste final de ano, coloquei toda a minha raiva pra fora, o efeito externo da dor da depressâo que sinto no meu ser, em cima da pessoa que mais amo e, ainda, sobrou um pouco para a pessoa que está em segundo lugar.

Tudo porque ela quebrou uma taça de cristal que eu daria para meu pai.

Uma coisa tão banal, não fosse a representação daquilo no meu subconsciente: mais uma tentativa de agradar ao meu Pai, que não enxerga nenhum movimento que eu faço nesse sentido.

Eu me trato para isso. Faço terapaia, eu me cuido. Entretanto, concluo que a cura não está no psicoterapêuta. mas em quem que cerca.

Nem todos entendem os efeitos dessa doença, mas, ironicamente, quem mais entende é ela, minha metade que empurrei pra longe.

Eu já não aguento mais chorar. A única coisa que me vem a cabeça é dopar e dormir. Típica fuga, achando que tudo será diferente após umas duas dezenas de horas.

Eu não ficaria comigo. Eu não mereço ninguém que preste. Tenho certeza de que magoarei todos. O melhor pra mim é ficar só. Ou não ficar e ir embora, de alguma forma.

Meu Deus, me ajude.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

e tudo muda.

Quase 2 anos depois. Última postagem em 30 de novembro de 2010.

Aquela garota do relacionamento falido de 23 anos, hoje, é praticamente minha noiva.

Ela mudou minha vida, mudou a vida do meu pai, com seu jeito de ser. Ela é um ser iluminado e que ilumina a vida dos outros, acho que por hobby.

Valeu Deus!

Sabe, hoje minha maior preocupação é profissional. Dez anos atrás eu estava desempregado. Evolui profissionalmente para o patamar em que me encontrava antes da falência, em 2001… mas estou empregado em um lugar cheio de cobras.

Ela? Está do meu lado, me apoiando. Valeu Deus, novamente.

Eu estou em depressão novamente por causa dessa bosta de emprego. Paga as contas, mas é um covil de gente desonesta. Eu não consigo continuar assim. Engraçado ser essa a principal razão da minha depressão.

Voltei pra minha terapêuta, que deixei justamente porque este emprego exige muitas viagens. A vida é uma piada. A vida é uma trollagem master com nossa cara, só pra provar que somos prepotentes; que devemos ser humildes e nunca esquecer disso.

Eu tinha esquecido desse blog. O que me fez lembrar dele foi um comentário feito num post antigo… loguei na conta e vi a mensagem para moderação. Lembrei, instantaneamente, da liberdade em escrever sem se comprometer.

Acho que vou voltar a gostar disso aqui.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tomei 2 olcadil de 2mg, 1 dipirona de 1g e 2 dramin.

Acho que nao da pra matar nao, so dormir um bocado. mas gostaria.

Gostaria de ser pego de surpresa por uma morte indolor. Deixar essa existencia em favor de qualquer outra nao relacionada, mas sem dor. Nao quero mais sentir dor meu Deus, por favor.

Estou fazendo um trabalho em outra cidade. Deixei de malhar, voce ganha uns quilinhos, a auto estima baixa. Deixei a terapia em favor do trabalho.

Vou fugir dessa cidade, mudar de ares, nao vou mais pensar nela. Arrumei outra pessoa. Pronto, meu plano perfeito para deixar o passado, no passado.

Fiz, no meu novo trabalho, uma nova amizade. Uma pessoa em um relacionamento fracassado, que pediu demissao do cargo de sofredora. Eu ajudei. Ajudei assim como ajudei minha “outra pessoa”, que tambem (pasmem) ajudei a sair de outro relacionamento fracassado, mas de 7 anos.

Eu ja passei por tudo isso. Ja sei quais sao as nuances, e comprovei que elas se repetem. bom para minhas amigas e para minha companhia atual. Ruim pra mim.

Hoje, ao conversar com esta colega de trabalho, tudo veio a tona. A vontade de chorar, as lagrimas, a lembranca dela. Puta que pariu, pensei, disse, bravejei. Nao e possivel, nao fico bom dessa merda!!!!

Ela nao merece isso. Ela nao merece esse meu sofrimento, por que tem que ser assim ? Por que eu quero morrer so de lembrar em sentir tanta dor que ja senti, e parece querer vir a tona ?

Sabe o pior de tudo ? Ela me falou tantas vezes que eu era o homem da vida dela e que ela casaria comigo… pra descobrir recentemente por um terceiro que ela nunca esqueceu um amor do passado. Passado este tao recente quanto o relacionamento anterior.

Eu tenho fe que tudo estara bem amanha quando eu acordar. Se eu acordar. Nao gostaria de acordar.

Eu estou precisando de ajuda.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Insights.

Dia 08. tanta coisa mudou.

Recebi ajuda de onde menos esperava. Uma dessas ajudas foi de uma garota de 23 anos, que tinha o seu próprio relacionamento falido para cuidar. E olhe, com letras maiúsculas.

Eu fui a muleta dela, e ela a minha. Ela saiu de um relacionamento de 7 anos onde tinha tudo material, mas nenhum conteúdo afetivo. Carinho, atenção, presença… poxa, conhecê-la melhor foi uma das coisas que mais fez sentido na minha vida.

Eu, por minha vez, estou saindo de relacionamento que, nos últimos dias está cheio de insights. Um dos mais importantes foi dado por minha terapêuta, hoje pela manhã.

Ela enumerou de forma simples, o meu relacionamento:

  • o sexo era bom, mas era raro – vocé é uma pessoa sexual e que precisa disso;
  • sempre que ela se dirigia a você era pra exigir mudança, adequação, ou deixar evidente um erro seu aos olhos dela;
  • ela não é carinhosa;
  • não é presente;

Meu caro, me diga finalmente, por quem você se apaixonou ? Quem você amou ? A quem você dedicou tanto do seu emocional ?

Boa pergunta: onde está a mulher por quem me apaixonei perdidamente ?

Tentei tanto mudar quem sou para atender a suas necessidades. Tentei, de verdade. O que é de fato importante ? Mudar ? Será que não é mais importante aceitar o próximo como ele é e deixar isso ser o foco da relação, com pequenas mudanças aqui ou ali ?

Eu me anulei. Eu fiquei tão preocupado em atender as necessidades de minha parceira que esqueci totalmente de mim. Cheguei ao ponto de pensar em abrir mão totalmente do que acho ou o que quero em um relacionamento, apenas para satisfazer a necessidade dela.

A dor chegou a ser tanta que pensei em abrir mão da minha vida.

Aí chega uma menina de 23 anos, despedaçada pelo sonho do casamento, acordada para uma realidade semelhante a minha, onde não adianta se adequar ao que o outro espera de nós, mas sermos nós mesmos na medida do possível, e me diz, com tanta veemência, que eu sou…

… fantástico, inteligente, bonito, e tenho tantos outros adjetivos que eu consegui finalmente afirmar: “é. não sou tão ruim assim, não sou de se jogar fora”.

Este meu jeito de ser incomodou tanto minha ex que provocou, da sua parte, o rompimento. Faria 1 mês separados. Solteiros, pra todos os fins.

Eu conheci essa garota e saimos juntos. A carne é fraca: a admiração mútua, e uma parcela gigante de carência, de rejeição de quem somos por nossos pares adicionado a um bom chardonnay nos levou naturalmente a carinhos e a um par de beijos.

Algum amigo ou amiga da ex, obviamente, viu isso, porque no dia seguinte recebi uma mensagem perguntando se eu estava feliz com o que tinha feito.

Finalmente, o que eu fiz ? Eu acabei o relacionamento ? Eu tentei. Eu avisei que ela me perderia, inúmeras vezes, verbalmente e por escrito, porque não aguentava mais sofrer. Fui ignorado. Pensei em morrer, eu precisei de ajuda. Eu fui atrás de toda a ajuda que eu pude encontrar. E eu encontrei a do melhor tipo.

Eu ouvi um “me esqueça” que marcou. Eu não sei porque a amo, o que fez meu coração estar em pedaços por causa dessa alma que me quer tão longe, ou tão diferente, para ter o direito de compartilhar de sua presença.

Fato ? Aquela frase me deixou mais leve.

Eu só espero meu amor que, um dia, você entenda como agiu errado, como me destruiu, e como perdeu o homem que, provavelmente, mais te amou. E ainda ama, mas que agora, trabalha analogamente para também esquecer você.

O maior medo que eu tenho, hoje, é que voce me procure, com uma conversa como a do post anterior. Eu tenho certeza de que… cederei.

Mas não deveria.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Desejos. Ou Sonhos.

Tudo o que eu queria ouvir e:

“Amor, vamos deixar de besteira… eu te perdoo, nao vamos mais sofrer.., vem logo pra ca, que eu to morrendo de saudades e nao aguento mais ficar longe de voce.”

Se ela me dissesse isso, hoje… e concordasse numa relacao de troca, um amor… mutuo… eu seria carinhoso, daria amor, cafune, confianca, seria fiel… pro resto da vida. E talvez depois.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Revolta.

Ontem ouvi uma das coisas mais bonitas que alguém já me disse. E foi de alguém totalmente inesperado, com muito menos idade e, teoricamente, menos experiência.

Foi bem longo, mas em resumo, disse para eu parar de me torturar. Que eu não mereço sofrer, e que eu sou uma pessoa linda, por dentro e por fora.

Disse também que eu não tenho noção de quem sou. Que a pessoa pela qual dediquei tanto do meu amor deveria estar bastante preocupada em me perder.

Eu já pensei em morrer por causa dessa dor. Eu vivo o dia com vontade de chorar, e é o que acontece quando fico só. Tudo por causa desta dor que eu sinto, essa dor de uma perda… tão importante.

Eu voltei pra terapia hoje. Quando escrevi ai embaixo que pensava em morrer, se a morte fosse sem dor, para tentar parar com a dor atual, percebi que algo muito errado está acontecendo comigo.

Imagino que meu caso seja grave, porque serão duas sessões por semana. Um remédio parar dormir e outro para depressão.

Mas a primeira sessão me trouxe de cara um insight. a culpa da separação foi minha. Eu não respeitei o espaço da minha companheira, transferi minha insegurança em forma de ciúmes para ela. Eu assumi que ela não saberia se defender de uma abordagem.

Ironias à parte, ela provou ser bem capaz da defesa, ao me expulsar de sua vida. Eu tentei dizer isso a ela… mas ela está tão magoada que leu o que eu escrevi e entendeu tudo errado. Entendeu que eu teria colocado o pé no foda-se.

Sabe de uma coisa ? Depois dessa reação dela, é provável que eu coloque.

Vejam a mensagem:

Nossa, como fui cego.

Eu que cheguei a achar por um momento que tudo isso pelo qual estavamos passando era por causa de uma crise de ciumes minha, ou por voce defender algo que considerava errado (que, na verdade, eu sequer entendia).

Inseguranca e algo perigoso, e eu estava transferindo esta inseguranca para voce. Por amar voce, queria proteger voce de qualquer coisa, achando que voce não teria capacidade para se proteger e reagir.

No final, o que importa e que eu não confiei em voce. Voce estava certa desde o inicio, não so quando argumentou sobre querer ser livre e sobre eu tolher a sua liberdade. Não apenas na ultima semana. Mas voce estava certa durante todo esse tempo... todo o nosso relacionamento, durante tantas conversas que tivemos, que voce me disse isso e eu fiz questao de não entender, em toda minha... prepotencia.

Ironico, mas voce me mostrou que consegue se proteger perfeitamente, e demostrou isso comigo.

Eu já pedi tantas desculpas para voce, e realmente acredito que errei... em todos os demais pontos para os quais lhe pedi desculpas. Mas eu não poderia ter pedido para este ponto, porque eu simplesmente... era alheio a ele. Eu agora entendo.

Eu queria dizer isso olhando nos seus olhos. Se eu tiver a oportunidade um dia, eu farei.

Um beijo.

Eu só posso estar cego mesmo, porque eu não consigo entender como uma pessoa pode ler isso aí em cima e achar que eu estou mandando ela pastar. Foi, na verdade, eu, entendendo o meu erro, assumindo minha culpa e pedindo desculpas.

É uma pena, porque hoje, eu não aguento mais sofrer. E, para isso, preciso tomar uma decisão. E essa decisão será esquecê-la.

Não consigo pensar hoje nessa idéia sem me reverter em lágrimas. Mas eu prefiro chorar agora do que continuar sentindo essa dor insuportável.

O que fica disso tudo ? A pena. A pena de ter encontrado um par com o potencial de ser perfeito. E ser rejeitado.